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| :: Narceja :: | |||||||
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Narceja é a rainha
das espécies aquáticas, tanto no aspecto gastronómico
( a sua carne é tida como a melhor de todas as espécies
de caça ), como no aspecto desportivo, porque proporciona o mais
difícil dos tiros a chumbo. Na realidade alvejá-la reveste-se
de dificuldades não só pelos seus célebres <<
crochets >> e ziguezagues que descreve no voo, pricipalmente pouco
depois de levantar, como também como terreno penoso onde o caçador
é obrigado a ter os pés, quase sempre as botas enterredas
na lama, o que prende parte dos movimentos e obriga uma constante atenção
a cada passada. Por isso o caçador tem de estar atento ao sítio
onde coloca o pé e ao mesmo tempo olhar para a frente e não
perder tempo a atirar às Narcejas que se levantam dentro de tiro,
visto que elas podem percorrer mais de trinta metros num segundo. Uma
hesitação do caçador é uma vantagem par
a Narceja. Sabemos que ela levanta geralmente a mais de vinte metros,
e que localizar o sítio onde ela saltou, meter a arma à
cara, apontar e disparar, tudo deve ser feito nuns breves momentos;
de contrário estrará fora de tiro quando de efectua o
disparo. Há três tipos de Narceja ; A Narceja grande, que os Ingleses chamam << double snipe >>; a ordinária ou comum e a galega ou surda. A Narceja grande raramente vem ao nosso País. Creio que a maioria dos caçadores nunca viram uma Narceja grande pois que, como disse, é raríssimo virem a Portugal. Esta ave é bastante maior que a ordinária e não proporcion um tiro tão difícil como esta última. Pesa à volta de cento e noventa gramas. A Narceja ordinária é a mais abundante e vem para o nosso País a partir de Outubro, completando por todo o mês de Novembro a entrada. É uma migradora nocturna e diurna. Logo que chega espalha-se pelos restolhos dos arrozais humedecidos ou com alguma água, pelos pauis e terrenos alagadiços, isto porque se alimenta espetando o bico na terra de onde extrai vermes ou larvas. As Narcejas devem ser procuradas nos sítios onde haja excrementos de gado bovino ou suíno, que origina as larvas de que tanto gostam. Os dias muitos frios e enevoados são os melhores para esta caça, já que nesses dias esperam mais, isto é, saltam menos longe. Levanta sempre contra o vento e, por essa razão, quando é possível, o caçador deverá procurá-la tendo o vento pelas costas. Mas o essencial é fazer poucos ruídos, visto que ela é tão sensível, arisca e desconfiada que o menor barulho constutui um alarme tão grande que faz com que salte muito antes de o caçador se aproxime. Para a caça a esta espécie usa-se o chumbo n. 8 ou 9. Por minha parte sempre preferi o n. 9 com cargas altas, quer dizer tiros fortes e rápidos. A Narceja salta quando menos se espera, a não ser que o caçador tenha um bom cão, bem treinado nesta espécie, bem parado, de bons ventos e que cace devagar e sem fazer ruído que espantem esta ave assustadiça. No entanto, quando se tem um cão que não é de facto bom, é preferível deixá-lo em casa. Quase sempre, ao partir, solta com o bico um ruído que lembra um beijo. Nos últimos anos poucas têm vindo para o nosso País, talvez devido ao emprego de produtos químicos nos arrozais que extreminam as larvas que constituem o seu pricipal alimento, o que as obriga, como é lógico, a procurar locais onde encontram a sua comida predilecta. |
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