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Características Gerais da Raça

O nome Pointer vem da capacidade natural destes cães de ficarem imóveis e apontar, "to point" em inglês, quando ele encontra sua presa. Seu papel é localizar a caça, apontar e ficar nesta posição até que o caçador esteja pronto para atirar.

No Brasil ele também é conhecido como Perdigueiro.

Embora não seja obrigatória nas provas de trabalho que o cão traga a caça abatida para o caçador, muitos donos têm treinado seus cães com sucesso para mais esta tarefa.

Como na maioria das raças antigas, existem muitas teorias a respeito da origem do Pointer.

A maioria das autoridades na raça acredita que o Pointer começou a ser usado como cão de caça nas Ilhas Britânicas, Espanha, Portugal e Leste Europeu, aproximadamente na mesma época, mas com ligeiras diferenças.

O desenvolvimento da base do Pointer, que conhecemos hoje como Pointer Inglês, foi iniciado na Inglaterra durante o séculos 18 e 19 onde havia um mistura das linhagens européias. Também acredita-se que cruzamentos com Greyhounds, Foxhound, Bloodhound, e vários tipos de Setters, contribuíram para a formação da raça.

Um outra teoria, também largamente aceita, é que a origem do Pointer estaria ligada a ancestrais egípcios. Numerosas pinturas, retratando cães cuja aparência é semelhante aos Pointers, e que foram encontradas na tumba de Thebes parecem dar credibilidade a esta hipótese,

Seja como for, o fato é que os Pointers eram usados, por volta de 1650, para achar e apontar as lebres que Greyhounds perseguiam, bem como apontar pássaros para as caçadas dos falcoeiros.

Com a descoberta e fabricação das armas de fogo, no início do século 18 a raça assumiu a honrada posição de excelência em caça com arma de fogo.

Criado tanto pela sua habilidade no trabalho como para ter uma aparência bonita e elegante, o Pointer foi introduzido nos shows de beleza e conformação da Inglaterra em 1859 e nas competições de trabalho em campo em 1865. Nos EUA eles foram introduzidos depois da Guerra Civil, e reconhecidos pelo American Kennel Club (AKC) em 1888.

Quando da importação dos primeiros Pointers da Inglaterra para os EUA, os criadores americanos mantinham exatamente as mesmas características da raça no seu país de origem. Isso significa dizer que tanto os cães usados para caça como os usados para shows possuíam o mesmo padrão. Na verdade muitos cachorros usados para caçar também eram apresentados nos shows mais importantes, como o de Westminster. A partir dos anos 30, no entanto, começou a ficar evidente um crescimento na divergência dos cães de exposição e os cães de trabalho.

O rabo do cães de trabalho, por exemplo, eram localizados (e portanto carregados) mais no alto das costas do que os cães de exposição. Por volta dos anos 70, e até hoje, estas diferenças eram tão grandes que a maioria das pessoas achavam que se tratava de duas raças diferentes e não da variação de uma mesma raça.

Os cães de trabalho amadurecem mais cedo e costumam ser menores (entre 53 cm e 66 cm na altura dos ombros), com peso variando entre 16 e 34 quilos. O rabo é mais alto, as pernas e o comprimento das costas mais curtos, as costelas são mais salientes e a cabeça mais pronunciada para a frente. Normalmente ele se mantém mais afastado do seu "handler", achando uma caça até a distância de 1,6 quilômetros (por isso as vezes os caçadores acompanham estes cães montados à cavalo).

Já o Pointer de exposição amadurece mais lentamente e sua altura nos ombros varia entre 58 cm e 71 cm. O peso fica entre 20 e 34 quilos. Seu rabo é posicionado mais baixo do que o cão de caça e normalmente carregado na horizontal. As pernas são mais longas e as costas ligeiramente encurvadas. Também, diferente dos cães de caça, o Pointer de exposição tem o peito mais profundo do que largo. Eles costumam trabalhar muito mais perto de seus "handlers", normalmente numa área de 91 metros, podendo ser facilmente acompanhado à pé.

Embora a grande maioria dos Pointers sejam de duas cores (branco e mais uma outra cor permitida), e que alguns criadores defendam que os bicolores são mais fáceis de ser visualizados numa caçada, os verdadeiros amantes da raça defendem com unhas e dentes os Pointers de cor sólida. Entre eles é muito comum o ditado que diz "Não existe um bom Pointer de cor ruim".

Os Pointers podem ser considerados como sendo uma raça saudável, basicamente livre de doenças genéticas, principalmente nas linhagens de trabalho (qualquer cachorro que não apresente as condições necessárias para ser um bom cão de caça não é usado para procriar). No entanto existem algumas anomalias hereditárias em ambas as linhagens.

Nos cães de show podem aparecer problemas como displasia coxofemural, hipertireoidísmo, nanismo, e epilepsia. Além disso podem ser comuns casos de dermatites causadas por picada de pulgas e propensão a desenvolver urticária alérgica.

Tamanho - Machos de 63 cm a 69 cm; Fêmeas de 61 cm a 66 cm (altura da cernelha).
Peso - Varia entre 20 e 30 quilos.

Aparência - Corpo ágil, poderoso, com movimentos energéticos e ao mesmo tempo suaves.

Pelagem e Cor - Pêlo curto, espesso, liso, macio e brilhoso. As cores permitidas

 

são o limão, fígado, preto e laranja, podendo ser sólidas ou combinadas com branco. Os tricolores também são aceitos.

Cabeça - Crânio moderadamente largo com o focinho quadrado; olhos largos redondos e escuros; as orelhas são levemente empinadas, pendendo junto à cabeça até a altura do queixo.


Cauda - A cauda é de tamanho médio, afinalando até a ponta; rabo cortado ou excessivamente longo não são aceitos.

Expectativa de vida - entre 9 e 12 anos.

Perfil da Raça

Algumas pessoas acreditam que os Pointers são esnobes e independentes demais para demonstrar verdadeiro afeto pelos donos. Embora a independência seja uma qualidade para os cães que precisam caçar afastados de seus donos e também para aqueles que precisam tomar decisões por contra própria, a idéia de que a raça sofre de falta de afeição é absolutamente falsa.

O importante, para qualquer cachorro de temperamento independente, de qualquer raça, é a socialização intensa do filhote.

Também, como na maioria das raças, as fêmeas costumam ser mais sensíveis e demonstram de uma forma mais explícita a afeição que sentem pelos donos. Talvez eles não sejam do tipo que gosta de ficar no colinho, ou dormir na cama, mas são muito companheiros e adoram ficar por perto de seus donos.

Se for acostumado deste filhote, o Pointer se torna um grande amigo das crianças. Paciente e alegre, ele adora brincar por horas e horas.

Na grande maioria dos casos o Pointer só se torna um grande problema por falta de treinamento de obediência básica e por falta de exercício. Devido a sua herança de cão de caça, todo Pointer precisa de uma grande quantidade de exercício vigoroso para se manter em forma e feliz. Um grande erro é pensar que basta ter um jardim para que o Pointer se exercite sozinho. Na verdade eles precisam ser direcionados para atividades positivas para que não se tornem entediados e, consequentemente, destruidores de primeira linha.

Uma boa idéia é manter um estoque de brinquedos apropriados e que possam ser roídos pelo cão. Pointers adoram roer e cavoucar o jardim. Ensine desde que seu filhote chegar em casa o que é e o que não é permitido roer e se for possível limite uma área para que ele possa exercitar sua habilidade cavadora.

Pointer são cheios de energia e vão se adaptar melhor a uma família ativa, que goste de passear, andar de bicicleta, correr, ou andar em trilhas. Nestes casos é bom lembrar que principalmente os filhotes vão precisar de uma dieta especial, com ração de boa qualidade e proteína suficiente para manter o nível de atividade. Por outro lado, cachorros que não são mantidos em atividade também vão precisar de uma dieta especial para que não se tornem obesos e extremamente excitados.

Só não espere que um Pointer vá acompanha-lo numa prova de natação. A raça foi desenvolvida para caçar principalmente na terra, mas também se adapta para outros tipos de caçada. Se for preciso entrar na água eles demonstram bastante resistência, mas acabam entrando se a água for quente. Se a água for fria ou se o tempo estiver muito frio não conte com ele. Aliás o Pointer não é muito fã de água de qualquer maneira.

Um comando especialmente valioso e que deveria ser introduzido ao filhote ainda nas primeiras 8 semanas de vida é o comando "VEM". Lembre-se que um cachorro de caça tem maiores chances de se meter em encrenca se for permitido que ele ande fora da coleira. Especialmente se ele não atender imediatamente ao chamado do dono.

Geralmente os cães de linhagem de show são os que melhor se adaptam a vida de cão de companhia. Eles tendem a ser menos cabeças-duras e mais calmos.

No livro The Intelligence of Dogs de Stanley Coren, o Pointer ocupa a 43ª posição entre as raças pesquisadas. Ainda segundo o autor, isto significa que eles são considerados como medianos no processo de aprendizado e na capacidade de serem treinados para executar tarefas.

Durante o período de aprendizado eles irão demonstrar sinais rudimentares de compreensão da maioria dos comandos após 15 a 20 repetições. No entanto, para que eles obedeçam razoavelmente serão necessárias de 25 a 40 experiências bem sucedidas. Se forem treinados adequadamente estes cães irão apresentar boa retenção e eles irão se beneficiar, definitivamente, de todo esforço extra que o dono dispensar durante o período inicial do aprendizado. Na verdade, se este esforço concentrado não for aplicado no início do treinamento, o cão parece perder rapidamente o hábito de aprender.

Normalmente eles respondem no primeiro comando em 50% dos casos, mas o grau de obediência final e confiabilidade irá depender da quantidade de prática e repetições durante o treinamento. Ele também podem responder de uma forma consideravelmente mais lenta do que as raças classificadas em níveis mais elevados de inteligência.

Um outro detalhe é que estes cães costumam ser extremamente sensíveis à distância física entre eles e seus donos. Ou seja, na medida em que a distância entre o cachorro e o dono aumenta, pior fica do cachorro obedecer prontamente, ou mesmo de obedecer. Não é incomum que, a partir de determinadas distâncias (que com alguns cachorros não precisa ser muito grande), já sejam necessárias várias repetições do mesmo comando, ou que o tom de voz seja elevado, para que se consiga fazer com que o cão obedeça corretamente.

Paciência e persistência são condições indispensáveis para que estes cães sejam treinados com sucesso e não se tornem "impossíveis".


Obs.: O gráfico acima é o resultado de um estudo realizado por Benjamin L. Hart e Lynette A. Hart, veterinários e Phd’s em comportamento animal, que entrevistaram dezenas de veterinários, treinadores e juizes de competições de obediência nos EUA.



 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
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